segunda-feira, 29 de outubro de 2012

"Um simples pergunta pode surpreender...

... daí ninguém espera isso também pode mudar seu destino."

Cinco minutos depois de ônibus ter partido, estava agradável o dia, o menino estava sentindo a brisa vindo da janela levemente desfocada até receber uma leve cutucada no seu braço e virou para atrás. Era um rapaz de barba com óculos falando sem jeito, deu para notar através da leitura labial que estava elogiando dos seus alargadores. O menino tentou falar, ma o rapaz não compreendia e continua sorrindo de forma tímida. Pediu para aguardar um pouco, tirou caderno da mochila e escreveu sobre alargadores. O rapaz leu e fez pergunta sobre curso que o menino faz, respondeu que faz Jornalismo e ele Engenharia Civil. Respondidos. Mas, o rapaz fez outra pergunta que o deixou surpreso de forma inesperada:

Você é bonito. Está namorando ou não?

Uma cantada no ônibus que levou uma longa conversa escrita, mais tarde resultou o namoro entre dois rapazes.





sexta-feira, 13 de julho de 2012

50 dias...

...contemplados de greve nas universidades federais.

Isso soa irreal no blog em que você está lendo, sim.

Na universidade onde estudo está em greve. Seis cadeiras paradas no começo de segundo bimestre, apenas uma cadeira está concluída. Férias antecipadas, com certeza. Mas continuo trabalhando como bolsista para me sustentar, às vezes o custo da vida saí bem caro do que viver em capital ultimamente, mesmo estando morando sob benefício garantido: residência, refeições e direitos garantidos para um estudante. Já que os servidores públicos resolveram dar uma força aos professores, também aderiram na greve. Resultou a paralisação da biblioteca e restaurante universitário, começam os dias de fome intenso que me forçaram a criar mais furos nos cintos, nada mal.

Já que o incômodo me atrapalha: inúmeras mensagens da mãe que ficou sabendo da greve, mesmo sabendo que não tenho alimentando suficiente e gastado dinheiro da bolsa por necessidades superficiais como cigarros que tenho consumido mais do que devia. E pediu que eu voltasse mais rápido possível, mesmo sabendo que estou enrolando para manter uma distância que separa a  "nossa" cordão umbilical.

- Está mais magro ultimamente. Ainda mais teus dentes estão cada vez mais amarelos, pelo amor de deus!
- Dá pra parar um pouco? Vou voltar lá para não escutar tuas reclamações, ponto final.

Sempre termina em volta para minha residência provisória depois das visitas na casa dos pais na minha cidade natal.

Ultimamente, meu estômago não aceita mais leite nem derivados. Intolerância à lactose, bonito resultado que a gastrite me deixou desde final de ano passado. Consumo de lacticínios caiu drasticamente, mesmo tendo compulsões nada convencionais como ataques nas pizzarias e padarias às escondidas que me obrigam a ir no banheiro livrar o que não foi aceito no meu corpo. Diarreia intensa, enjoo, suor excessivo, irritação e mudanças de humor que a intolerância me causa.
Já que consigo vomitar sem enfiar mãos na garganta, sem dificuldade nenhuma. 

- Com licença, vou demorar um pouco no banheiro. - falei, depois de atacar geladeira sob efeitos de maconha.
- De novo? Você não engordou nem uma grama depois das inúmeras laricas, tem vomitado ultimamente? - disse uma amiga próxima, chapada.

Um bulímico maconheiro, que toma clonazepam e fluoxetina em dobro todo dia. 

Autodestruição em modo ativado novamente... até ser interrompido por alguém, de família até amigo próximo. Isso não vai durar por muito tempo, quem sabe.



domingo, 1 de julho de 2012

"Todo recomeço...

...é dolorido e envolve muito sofrimento... Mas se realmente se faz necessario, não adianta lamentar... É preciso ir em frente!"

Acordou cedo, olhou nos lados e estava sozinho na cama. Sua cabeça doí, tinha exagerado a dose de vinho na noite anterior.

A bulimia retornou, ainda de forma intensiva. Mesmo não sabendo do peso atual, só prefere evitar balanças.

Ainda deitado na cama, tirou um cigarro do maço Marlboro Light e ficou tragando enquanto lembra da última relação sexual que tinha feito faz pouco tempo. Um abraço quente, forte e confortável. Cheiro de Áurum e hálito de cerveja nas costas. A posição lembra muito do último relacionamento que teve. Vergonha na cara, por sinal. Um pedido de discrição total. Uma despedida irreal e confusa.

E tinha voltado a tomar fluoxetina e clonazepam faz um mês. Mas não dão efeito imediato. Malditos genéricos!

Nunca se sabe o que acontecerá, só o sentimento da necessidade ainda está presente no seu corpo. Necessidade de recomeçar.



domingo, 20 de maio de 2012

Day 6 — A stranger

Prezado desconhecido,


Prezado? Essa palavra não cairia bem para te cumprimentar nesta carta. Seria um desleal lembrar escrevendo para você depois de ter passado.
Numa noite chuvosa e gelada, eu estava prestes a sair da balada. De repente, você apareceu do nada sorrindo para mim e começou a falar no meu ouvido. Tentei te avisar que sou surdo e percebi que você está bêbado. Me convidou para ir na tua casa, me fez pensar horrores. Mas decidi te levar para minha casa.


Eu não devia ter feito, porque eu estava carente. Me fodi na hora errada...


Um desconhecido sem nome nem idade na cama.
Hálito de álcool nas minhas costas
Dor intensa na parte de baixo
Tentativa fracassada
Nenhum carinho
Nem despedida no final.
Você me fez tomar um porre misturado de rivotril.
Você me fez apagar.
Você me fez magoar.
Tarde demais.
Eu me arrependi.
Pior é que ainda lembro daquela noite.




Vim para dizer umas coisas que você não vale pena e que mereça um lugar de algum inferno dos infernos insuportáveis.
Do que adianta praguejar tudo isso? Não sei teu nome nem idade e não me faço ideia de onde você é! Porque  não entendia nada do que você falou para mim assim bêbado.
Enfim, espero que você esteja morto ou sofrendo em algum lugar insuportável...


Adeus.
G.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Em versão de Christiane F.

No meio da bagunça que seus amigos deixaram: copos vazios e cheios de bebidas alcoólicas, cinzeiros entupidos, mesa carregada de drogas variadas e a televisão exibindo filme pornô.

Estava sozinho num ambiente inóspito e seus amigos haviam ido embora.

Mas...

Não está sozinho, está sendo observado por uma menina que veste de vestido xadrez vermelho que sempre o acompanha e disse, sorrindo:

-  Está tentando fugir dos problemas, mas os problemas sempre andam acompanhados contigo e serão fiéis. até a morte.

8 meses sem clonazepam e fluoxetina. 57 quilos.