segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Último suspiro


“Pedi pra mãe –
me interna, tô infeliz pra caralho.”
Caio Fernando Abreu


Pensou que ia descansar bem durante as férias de inverno e descobre que está enganado. Teve que reaviver a vida conflituosa com os pais e as tias. Tentou manter feliz e descontraído, mas não conseguia apesar de efeito da fluoxetina que o deixou melancólico demais. Tentou divertir nas festas para beber horrores e no final sempre encontrava arrasado, cansado, mal-humorado e triste demais para acordar no dia seguinte. Essa turbilhão durou umas quatro semanas, e estava ansioso para voltar no lar onde se sente bem sozinho longe dos parentes.

Enfrentou quatro exames e passou. Mas não ficou satisfeito com as notas obtidas, só que teve uma disciplina com a nota bem perto de dez. Então, ficou aliviado por ser apto para estudar no segundo semestre.

O início do segundo semestre foi o mais estranho para ele: não cumprimentou seus colegas na sala de aula e sempre chega atrasado nas aulas, sem vontade nenhuma para realizar, mesmo que o conteúdo deste segundo semestre é mais legal do que semestre anterior.

Seus amigos o convidaram para as baladas, pois perceberam que eu estava entediado demais para ficar no quarto que cheira de cigarro com as roupas sujas espalhadas no chão. Então ele aceitou convite deles. Na última vez que ele foi, estava enjoado e com dor de cabeça, pois tinha tomado muita bebida alcoólica mais do que devia no dia anterior e vomitou muito. De repente, um homem de boné cabisbaixo o olhou dançando e foi a aproximar dizendo que está lindo demais para ficar dançando assim. Ficou tão vermelho e queria dar fora, mas resolveu levar o homem para seu quarto.
Daí foi a madrugada mais nojenta que ele recebeu e pensou em suicídio. Se encontra perdido na cama, tinha comendo muito na hora errada, tomou rivotril e está esperando a escuridão o preencher.

domingo, 11 de julho de 2010

Mente perdida

O final do semestre está puxado a mais do que eu imaginei, não estou conseguindo a estudar melhor pois a concentração está piorando.
Recebi uma péssima notícia: vou fazer 4 exames. Não sei como vou estudar tudo isso para fazer os exames na mesma semana! Bom, vou enfrentar de qualquer forma.

No meio da preocupação, apareceu uma mensagem do poeta dizendo que quer que eu saiba que ainda me gosta e que o nosso carinho não diminuiu nada.

Fiquei observando essa mensagem, sem responder nada, de olhos molhados. Lembrando do beijo, abraço, carinho, cheiro e olhar dele.

Não sei o que fazer...


- De 50 para 54 quilos



quinta-feira, 1 de julho de 2010

Dor epigástrica

Quando os sintomas de refriado começam a ficar mais intensar, resolvi comprar remédios para gripe, resfriado, dor de cabeça e tosse. Depois de tomar os comprimidos, tive que aguentar sob efeitos insuportáveis alguns dias.
Mas a dor vindo de esôfago é mais forte que eu já senti. Não conseguia dormir, sempre acordava na madrugada. A dor continua assim por três dias.

Resolvi ir no hospital universitário. Eu não aguentei mais daquela maldita dor. Depois de espera demorada, fui atendido por uma enfermeira simpática. Começaram a fazer exames de pressão, batimentos cardiácos e temperatura comigo, e os resultados saíram tudo certo. E ela começou o interrogatório.
Depois de uma longa conversa, percebi que eu não estava alimentando muito bem e estava estressado com tanta tarefa da universidade. Nas horas vagas, eu sempre passava nas lancherias para comer bobagens praticamente todo dia, em vez de alimentar com frutas, verduras, legumes algo de saudável.
A enfermeira recomendou que eu não consume do meu cotidiano: café, chá preto, álcool, refrigerantes, alimentos gordurosos, frituras, doces e frutas críticas.

A gastrite tinha voltado. E me fez a voltar tomar de omeprazol.

E me perguntou se tenho andado bem com estudo, relacionamentos familiares e tais. Respondi que não tenho saído muito bem nem vejo pais há mais de um mês por causa das brigas.
Quando ela começou a mencionar se eu já tinha feito tratamento psicológico, falei que sim. Última vez que fiz foi no janeiro nem tomo antidepressivos e ansiolíticos há mais de um ano.
Fiquei tão ávido quando ela me perguntou se eu quiser voltar a tomar antidepressivos e ansiolíticos, respondi de sorriso largo: sim!

Estou tomando de fluoxetina e rivotril. Uma semana sem tomar café. E vou fazer tratamento psicológico que a universidade oferece de graça.

Obrigado, dor epigástrica!

terça-feira, 8 de junho de 2010

Ressaca pós-paixão

"Chorei três horas, depois dormi dois dias. Parece incrível ainda estar vivo quando já não se acredita em mais nada. Olhar, quando já não se acredita no que se vê. E não sentir dor nem medo porque atingiram seu limite. E não ter nada além deste amplo vazio que poderei preencher como quiser ou deixá-lo assim, sozinho em si mesmo, completo, total."
Caio Fernando Abreu

terça-feira, 1 de junho de 2010

Paixão dolorida

Você me olhou. Te olhei.
Você pediu um beijo comigo. Aceitei.
Você gostou do meu beijo. Gostei do teu.
Você me excitou. Te excitei.
Você me gosta. Te gosto.
Você me adora. Te adoro.
Você me deixa feliz. Te deixo feliz.
Você me dá carinho. Te dou carinho.
Você sorriu para mim. Sorri para ti.
Você sente saudades. Saudoso eu.
Você ainda sente meu perfume. Ainda sinto teu.
Você se acha esquisito. Eu também sou.
Você sente confuso. Tento te compreender.
Você se apaixonou no mês passado e se machucou emocionalmente. Tento te acalmar.
Você quer ficar sozinho no teu espaço. Tento fazer uma companhia pelo resto do dia.
Você pediu desculpa se me magoou. Tento dizer que está tudo bem.
Você chorou. Te abracei.
Você não consegue pedir um tempo. Minhas pernas tremem.
Você suspirou. Dei último abraço.
Você despediu dizendo que me gosta. Despedi dizendo que ainda te adoro.
Você deitou chorando. Saí correndo chorando.




- 2 anos e 3 meses do blog

sábado, 10 de abril de 2010

Vida de um universitário da federal

Pensei que tudo ia melhorar depois do início das aulas da federal. Me enganei, a primeira semana foi bem tensa e, algum tempo depois, tentei a manter o controle para poder alimentar bem. Mas não sinto bem diante da multidão alimentando e conversando alto num restaurante universitário, minhas mãos trêmulas tentam pegar talhares de forma tão desajeitada. Até quase engasguei. Sentia ridículo e desconfiava vendo alguém rindo de mim.

As noites que eu tento dormir não são bem dormidas. A vida no alojamento provisório é uma merda: bagunça, sujeira, poeira, perfumes que os jovens exageram, pisca-luzes das lâmpadas e colchão surrada num beliche semi-destruída.

As aulas começam, eu ficava entediado sem entender nada o que as professoras falaram. Meus colegas tentam me ajudar dando bilhetes para entender melhor. Os trágicos 22 dias sem intérprete foram resolvidos com a vinda das três intérpretes até apareci algumas vezes no jornal da cidade local. Não fui muito bem sincero com as três intérpretes nem com colegas.

As visitas na casa dos pais sempre terminam em brigas e discussões idiotas por causa da alimentação.

Afinal de contas, consegui um quarto na casa do estudante. Isso significa que vou deixar do alojamento, ainda bem! E terei que continuar enfrentando o abalo psicológico que a comida me causa. Tratamento com a psicanalista foi interrompido faz dois meses. Não quero engordar, mas, na hora outra, tudo fica contrário. Continuarei confuso.

sexta-feira, 12 de março de 2010

O início da angústia


Quem luta com monstros deve velar por que, ao fazê-lo,
não se transforme também em monstro.
E se tu olhares, durante muito tempo,
para um abismo, o abismo também olha para dentro de ti.
Friedrich Nietzsche


Ele acha que vai passar bem na nova mudança, mas sente uma necessidade.
Passa nos lanchonetes, restaurantes universitários e supermercados freneticamente, ignorando o pedido da mãe:
- Não gaste muito com as bobagens, alimente bem, por favor!

As mãos tremem, o coração bate rápido, o estômago roncando ainda, a mente agitada, as noites mal-dormidas, as dores do corpo, a respiração ofegante, os tragos excessivos de cigarros, o humor tenso, a sensação diária de não ser adequado e o sorriso falso.

O início das aulas universitárias tenso.

Uma necessidade mal preenchida e ainda continua...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Uma parte que o menino quer esquecer






Uma mulher recebendo palavrões, ameaças e batidas que o homem fez. Ela não aguenta mais, está sofrendo. Já que o homem é muito machista, acha que toda a mulher é inferior e mereça assim.
Um filho, parado na porta do quarto, vendo a cena. Não conseguia mexer nem defender a mãe indefesa diante de um pai rude e irritado.

O menino tinha 4 anos quando presenciou essa cena. Sofria mau-tratos que o pai dele causou. Tinha inveja de ver seus amigos felizes com seus pais. Já pensou em fugir da casa várias vezes e teve uma primeira tentativa fracassada de suicídio aos 10 anos.

Durante dezessete anos, as cena repetiram. Ele, jovem, continua covarde e sem reação para defender a mãe.

Para piorar as coisas, a mãe disse ao seu filho, várias vezes:
- Você é tão igualzinho de seu pai!

O jovem ficou chateado e tem um humor instável desde criança por causa dos conflitos familiares. Deseja que tudo isso acaba bem, mas prefere esquecer a existência dos pais.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Mudança

Por incrível que pareça a ficha ainda não caiu que vou morar sozinho na outra cidade e estudar na federal. Tudo é uma surpresa inesperada, um milagre para estar longe dos pais chatos e problemas familiares. Isso é um desejo de algum jovem problemático como eu deseja assim, está prestes a realizar.
Dizem que essa mudança vai me ajudar a manter longe do transtorno alimentar aos poucos. Fiquei pensando bastante nisso, porém, certa coisa que me martela bastante. Se a loucura persistir ainda?
Sempre existe um porém, vamos ver o que der...



terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Contrastes e um selinho

Saí para caminhar um pouco, esbarrei com os crentes, eles me perguntaram se podem visitar na minha casa, respondi que não vai dar, pois estou na saída.
Não curto nem gosto da gente crente.
Na volta esbarrei com eles de novo, eles perguntaram mais uma vez em que dia vão poder visitar. Respondi que vou mudar para outra cidade. Eles ficaram surpresos e desejam parabéns. Ainda bem que não recebi eles na casa, ok.

Fui direto no computador para ver o resultado. Eram 11 de manhã. Fiquei esperando o site abrir, por causa de congestionamento do acesso. De repente, a mãe entrou na sala e pegou telefone. E falou para mim que as tias estão olhando o resultado. No momento abriu o resultado, fui ver meu nome na seção de Jornalismo. Achei, não acreditei e gritei feito um louco. Passei! Passei! Passei da federal! E peguei fone e continuei gritando, as tias devem ter assustado pelos meus gritos.
Já que meus pais não desejam parabéns nem deram rosto faceiro. Minutos depois, dei uns argumentos diretos para mãe que não sente preparada em ver seu filho único ir embora para morar sozinho e estudar na outra cidade. Ela falou de outras coisas que não têm nada a ver. Ela é tão teimosa!

Depois de duas semanas aguardando o resultado da UFSM chegar, tive noites mal dormidas, ansiedade, estafa e temor. Mas valeu a pena ter passado.






Regras:
1. Linkar o blog que te indicou e passar os que te fizeram abrir os olhos e avisá-los.
2. Completar a seguinte frase referente a cada um dos blogs indicados: Seu blog me faz abrir porque...


Obrigado Menino_ e menina pelo selinho!

Srtª Vihh, você usa palavras muito bem para desabafar seus sentimentos e suas palavras me refletem cada vez mais.
Love, sua luta contra o t.a. e sua busca da felicidade me deixou inspirado e feliz. Cada teu passo a mais me cativa e me cria uma força para enfrentar t.a que tenho.
Ness, seus sentimentos são muitos parecidos dos meus e tenho admirado bastante que você continua vivendo e enfrentando as barreiras.
Vocês são uma inspiração, garotas!

Enfim... agora vou comemorar com as tias quando chegarei em capital hoje à noite. E ainda mais, vou na formatura do curso na próxima quinta em que fiz durante os seis meses na capital.
Obrigado pela tua torcida. E sejam bem-vindas novas garotas!