sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Esperança cética

Caminho nas escadas até o sétimo andar, abro a porta do apartamento e encontro a comida já posta na mesa com um bilhete escrito por amiga da tia.

"Hoje fiz almoço vegetariano, que é especial para ti. Espero que goste. Tem um suco natural na geladeira. Até a noite. Beijos"

Me deixa um pouco feliz e chateado ao mesmo pelo o que a amiga respeita a minha opção muito bem até prepara tanta comida gostosa e saudável, porém calórica.

Eu tento alimentar o prato preparado por ela, mas os pensamentos anoréxicos estão atrapalhando comigo. Sem pensar duas vezes, levo prato até o banheiro, onde jogo comida no vaso sanitário e dou uma descarga.

Essa comida tão boa e saudável se foi na privada. Porque eu fiz isso? - pensei, enquanto meus olhos se lacrimejam.

Quando a tia e a amiga dela voltaram do trabalho me perguntaram se eu gostei do almoço. Respondi mentindo que gostei muito.

Mentir para elas me doí muito...

Algumas vezes, escapando dos pensamentos anoréxicos, comi pratos e lanches vegetarianos, horas depois fico na crise dístimica. Minhas tias (chamo a amiga dela de tia) me perguntam o que houve comigo depois de verem meu rosto desfigurado de tanta tristeza. Tento acalmar elas dizendo que está tudo bem.

Nas noites eu tento imaginar alguma coisa feliz, deitado na cama, e no final sempre acabo com olhos molhadíssimos.

O curso está ficando mais legal. Tem um certo incomôdo: intervalo do curso com direito de um lanche e bebida de graça. Eu peço café puro até coca zero, lanches poquíssimas vezes! Meus colegas me olharam segurando uma lata de coca zero, enquanto fumando. E comentaram que estou magro demais.
Certo dia, saímos para pegar ônibus depois do curso, dei um toque leve no meu colega cego para conversar com as mãos. Ele disse que minhas mãos e braços são muito esqualidas, fiquei perplexado. Outra colega nos viu e concordou com ele.

Saiu puro suco gástrico no vaso de banheiro do curso, queimou a minha garganta, sentei no chão e chorei.

Quero estar feliz! Esta frase apareceu, depois de balões estourarem, foi escrito por mim durante a aula de psicologia do curso em que a professora propos colocar umas mensagem anônimas em balões. Acredito que existe uma esperança, porém estou ficando cético...

sábado, 5 de setembro de 2009

Crise de pânico

Voltei do curso e encontrei um bilhete na mesa de cozinha

Você pode comer sem medo de ser feliz.

Fiquei intrigado. E almoçei bife de soja, arroz integral, feijão e salada de soja. Minutos depois deu-me uma culpa mísera.

Fui no banheiro, miei o resto da salada, muito menos arroz e feijão. Depois ataquei barrinhas de chocolate e consegui miar, mas feijão com arroz não saíram ainda de segunda mia.

Me deu um grande desespero. E aconteceu um ataque de pânico: taquicardia, falta de ar e corpo agitado. Minutos depois, me acalmei aos poucos, fui no sebo e fiquei lendo os livros da psicologia para esquecer a tensão.

Então, na noite a tia voltou do trabalho. Resolvi perguntar sobre bilhete tão estranho. Ela explicou que não colocou sal, pois exagerou sal nas refeições anteriores. Tentei rir de qualquer forma.

Minha garganta está totalmente fudida!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Uma passadinha no inferno

Depois de uma semana estando em capital, resolvi dar uma passadinha na minha cidade natal para matar saudades com meus animais de estimação e rever meus amigos.
Quando cheguei na casa dos pais, já começou a discussão diária por causa de alimentação...

Eu estava teclando com amigos no messenger em plena noite da sexta, a mãe perguntou-me qual jantar que eu queria: comida ou lanche. Respondi não mexendo cabeça.
Ela ficou furiosa, começou a falar que estou magro de ossos até apertou meu braço. Eu fiquei furioso pela reação dela, pragueijei-a para inferno. Mas, mesmo assim, jantei na frente dos pais para não piorar o clima.

No dia seguinte, minha mãe foi visitar na outra cidade com a irmã dela. Meu pai estava na casa, tomei iogurte no desjejum. Saí caminhando para a casa da amiga, no outro lado da cidade, onde vai ter a festa de aniversário dela. O tempo estava quente, estou de roupa típica para outono e nem almoçei.

Como eu me prometi que vou comer uma fatia de bolo só, mas extrapolei demais. Até falei com as minhas melhores amigas que preciso emagrecer, elas me xingaram que tenho cabeça pequena. Fiquei ofendido, afinal, decidi a não falar mais sobre isso com elas.
Depois de aniversário, fui na concentração surda em boliche à noite fresca. Durante um bom tempo, senti meu estômago roncando. Eu queria ficar de NF, mas... Fui no bar com as duas amigas e pedi um xis vegetariano (sou vegetariano faz sete meses).

Acordei perto de meio-dia do domingo, depois de chegar na casa pelas 4 horas de manhã. A mãe reclamou pra caramba. Não aguentei ficar vendo a mãe reclamando assim.
Última refeição com pais se realizou com conflitos...

Antes de ir para rodoviária, o pai pediu-me um abraço. Achei muito estranho, pois ele e eu não demos muito bem desde minha infância. Então, dei um abraço mal-feito. A mãe observou naquela cena inédita e ficou feliz.
Na rodoviária, a mãe perguntou alguma coisa pra eu comer durante a viagem para capital. Respondi somente bebida. Ela nem hesistou.

Fiquei lembrando dos momentos em que passei na infância, enquanto vendo a placa dizendo que faltam alguns quilômetros para chegar em capital:

No jantar com os pais, a mãe colocou um pratinho de comida. Eu fiz uma carinha de quem não gosta a comida.
A mãe disse que devo ficar forte se eu comer todo o pratinho.
Acreditei no que ela disse durante os últimos anos.
E tornei obeso de oito anos.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Partida bizarra

Estava preparando umas malas para a partida, senti um vento vindo da janela do meu quarto. Era gelado, mas gostoso. Estava chovendo forte no dia dezoito.
Achei engraçado o dia da partida ficaria assim, embora que gosto de dias nebulosas, chuvosas e geladas.
Lembrei da reunião da escola para discutir sobre a inclusão nas salas de aulas, fui lá debaixo da chuva. Durante a reunião, o celular vibrou. Era a mensagem da minha amiga dizendo que a mãe tá precisando comigo urgente. Alguns minutos depois, me apressei até a casa. A mãe estava uma fera, mas não importei dela. Que se foda uma vaca obesa e teimosa!
Ônibus para Porto Alegre chegou, a mãe despediu e disse que eu volte nos finais de semanas para passar. Eu fiz deboche assim: Não vou voltar para visitar você e pai, mas só animais de estimação. Então, adeus!
A mãe não gostou pelo o que disse.
Entrei no ônibus, vi um homem no banco último, eu sentei atrás do banheiro. Porque é lugar meio vazio, admito que gosto assim mesmo.
Quase duas horas depois, deu uma sensação danada de fome. Vi uma sacola contendo salgadinhos e chocolates que a mãe comprou para mim.
Devorei imediatamente que nem um mendigo. Senti uma dor intensa do estômago e uma grande culpa, tentei ignorar esses sentimentos, mas não deu a bola.
Então fui no banheiro de ônibus, coloquei dois dedos na minha garganta e pressionei bem forte. Saiu os restos alimentares.
Miei no banheiro de ônibus andando para capital. A bulimia voltou...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Perdido no mundo irreal

"Comece pelo começo, siga até chegar ao fim e então, pare" - Lewis Carrol em Alice no País das Maravilhas.

***

Vesti uma calça 36 bem folgadinho no banheiro depois de tomar um banho, passei mão no espelho pra tirar umidade e mostrou uma imagem.

Não é sou eu. É tão diferente de mim.

Enquanto isso, lembrei das velhas fotografias e momentos do passado remoto. Chorei lembrando que comia sem culpa, tinha um corpo saudável e era feliz.

Por que? Porque eu não me vejo como magro, sim como um gordo. Resposta crua e irreal.

Você está magro demais até parece um aidético, disse um conhecido. Dei um gesto obsceno pra ele, dizendo que não se meta na minha vida.

Meus amigos de infância estavam conversando sobre academia e emagrecimento. Mostrando umas "barrigas de cerveja", então mostrei minha barriga. Eles falaram que a minha barriga é lisa pra caramba. Eu não acreditei pelo o que elas acabaram de falar.

***

Nas meia-noites, eu tento dormir, mas só fico acordado de olhos molhados pensando o que será de amanhã. O demônio voltou com aplauso silencioso. Falta um pouco para chegar e depois morra!

Estou ficando neurótico...

Que bela sopa, tão rica e verde,
Esperando no caldeirão a ferver!
Quem consegue parar de comer?
Sopa do jantar, bela sopa!
Sopa do jantar, bela sopa!
Que be....la so....pa!
Que be....la so....pa!
Soooo...pa do jantar!
Bela, bela sopa!
Que bela sopa, quem liga para um peixe,
Carne ou outro prato?
Quem não daria tudo o que tivesse por essa bela sopa?
Sopa do jantar, bela sopa!
Sopa do jantar, bela sopa!
Que be....la so....pa!
Que be....la so....pa!
Soooo...pa do jantar!
Bela, bela sopa!


Uma noite qualquer, meus pais me chamaram para jantar. Falei que não sinto fome nenhum, mas eles não importam e me levaram para cozinha. Eu vi um prato cheio de comida.
Eu: Não vou comer tudo isso! - mexendo comida
Mãe: Se não comer, vai ver.
Eu: Então, mostra - continuando a mexer comida
Pai: Coma! - Batendo forte na mesa.

Fiquei assustado, comi um pouco, de olhos molhados. Outros parentes estavam lá observando tudo.
A metade do prato se foi e saí direto para quarto. Tentando abafar o choro com travesseiro, deitado na cama.

Não chora! - sinaliza demônio - É tudo que você tem que viver.
Mandei que ele saia do quarto, jogando travesseiro.

***

Recebi uma notícia boa caiu do céu: vou morar em capital esta semana. Então, vou partir hoje à noite mesmo.
Preciso ficar longe do pais, mas vou ter que enfrentar com a tia chata e as consultas semanais no hospital de capital.

Você deve, querendo ou não querendo, sair do inferno.

A luz do fim está chegando...

Soooo...pa do jantar!
Bela, bela sopa!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Are you happy with that?

Eu preciso morrer, mover, mudar
parar de enxergar para ver,
Sorrir sem palavras, sem me preocupar
Porque as vezes você precisa escolher
Entre perder e esquecer sem jamais lutar!
Não sei quanto tempo passou
Desde que esqueci de passar
Tão perto de um lugar qualquer...
Eu queria me fechar, mudar e voltar a ser tão normal
E não ser
o que eu penso ser... o que eu acho
que sou
Meus pensamentos,
os julgamentos que eu finjo não notar
o que é mais certo?
O silêncio pode mostrar que eu me importo
Fugir pode me calar...
...
Talvez eu deva viajar, mudar o rumo...
talvez não ter onde ficar,
talvez no escuro...
Talvez não encontrar
um outro rumo...
Talvez a estrada não tenha fim,
talvez o fim seja viajar
em outras águas que ninguém navegou
e talvez nunca chegar
em lugar nenhum
ou em qualquer lugar...
salvar-me...

***

Estava num lugar bem movimentado e alegre, esperando um ônibus chegar na parada. Um táxi parou no meu lado, a porta abriu e era a tia. Chamou-me para entrar. Então entrei.
Por bom tempo, reconheci uma avenida, comecei a desesperar.
Era o endereço do hospital onde tem ala para transtornos alimentares.
Quase causei o acidente tentando fazer táxi parar, mas paramos na frente de emergência do hospital.
Comecei a ficar nervoso demais.
A tia saiu, pedindo que eu saia do táxi. Eu recusei inúmeras vezes, tentando segurar o banco. Mas ela chamou enfermeiros. Um bando dos enfermeiros!
Os enfermeiros me carregaram. Me debatei para sair dos braços, mas sem sucesso. Entramos nos corredores do hospital.
Podia ver os rostos das pessoas, que estão esperando no corredor da visita, assustados nos observado.

Acordei, percebi que era um pesadelo e fiquei tranquilo.

Mas...

Dois dias depois, a tia visitou de surpresa.

***

Depois de uma semana com a tia na minha casa. O que ganhei? Inúmeras perguntas feitas pela minha tia sobre alimentação e tais, que resultou umas belas discussões nos almoços e jantares.

Algum dia a mãe perguntou-me se tenho papel de encaminhamento. Eu respondi que não é pra sua conta. Ela me pressionou, então dei pra ela. Depois de ela ler, ficou feliz e tentou me abraçar. Eu falei que não quero saber de abraços. Um garoto indelicado, claro.

***

Os pensamentos anoréxicos me consomem para caramba e muita comida hipercalórica! Resolvi vencer o medo temporário da balança, depois de umas "décadas" sem pesar.

Pesei, vi no visor e não acreditei.

50,2kg! Perdi 3 quilos comendo.

***

Uma garota com transtorno alimentar em que converso no msn fez-me refletir com uma frase que ela sempre fala:
- Quando como, sinto culpa e quando não como, também sinto culpa.

Afinal: todo anoréxico e bulímico é feliz?

sábado, 1 de agosto de 2009

Unexpected moments

Eu estava no campo verde. De repente, apareceu um vulto aproximando. Me surpreendi vendo um rapaz que era eu, de aparência bem esquelética. Ele falou que podemos sentar para conversar. Falei pra ele que está bonito de ossos. Ele agradeceu, porém, de cara bem estranha. Ele falou que estou ótimo com 53 quilos. Perguntei pelo peso seu. Ele respondeu 40 quilos. Fiquei surpreso. Ele adverteu que devo pensar bem antes de chegar em meta final. Eu ia falar umas coisas, mas senti alguém me cutucando. O "eu" deu tchau, de olhos molhados. E acordei.

O passarinho verde apareceu no muro da casa, fraco.

Recebi uma mensagem da amiga da minha tia dizendo que fui aceito para fazer curso/estágio em FIERGS. No momento, eu estava na tabacaria do shopping. Me deu uma vontade, passei na sorvetearia e pedi um milk-shake de chocolate. Tomei todinho em poucos minutos. Meu estômago doeu demais. Dei uma passada na biblioteca municipal. Quando eu estava lendo o jornal, comecei a sentir taquicardia, ondas de calor e tremendo demais. Ataque de pânico por causa de milk-shake. Apressi caminhando para o banheiro. Miei. A dor de cabeça começou. O NF durou só 14 horas.

O passarinho verde cantarolando feliz depois de ser adotado por uma família.

No meio da noite gelada, voltei da reunião de associação. Notei o ambiente estranho na minha casa, vendo a mãe telefonando de jeito diferente. E entrei na cozinha, avistei duas agendas minhas na mesa de cozinha. O pai, sentado ao lado de fogão à lenha, me chamou. Meus pais re-descobriram do meu transtorno alimentar.

O passarinho verde começou a debater agressivamente.

Meus pais me levaram para restaurante e eu discordiando de cara furiosa. Coloquei pequenas porções no prato em fila de buffet. Quando ia colocar prato na balança. Meus pais viram meu prato assim e me forçaram que eu coloca mais. Eu dei palavredos. O atendente me observou sem jeito.

O passarinho verde ficou iludidado.

Fui consultar com a minha psicólogica, contando o que aconteceu na casa. Até falei que estou tendo compulsões. Ela perguntou-me que forço a vomitar, respondi de vez em quando. Disse que meu transtorno alimentar é bem complexo. Rindo mentalmente. Ela disse que vai chamar psiquiatra e nutricionista para continuar o tratamento. Psiquiatra?! É que preciso muito dele! Mas, lembrei do curso/estágio em capital. Avisei-la que não vai dar, ela perguntou pelo porquê. Expliquei que fui aceito pra fazer lá. Ela ficou feliz, dizendo que é bom pra mim. Escreveu um encaminhamento para que eu possa continuar tratamento em capital.

Almoços briguentos. Sem controle sobre as compulsões. Crises depressivas tempo todo. Pensando em emagrecer sem parar. O que mais me surpreende é que havia perdido 2 quilos.

O passarinho verde morreu.

O FIERGS ligou dizendo que meu curso/estágio foi adiado para mais tarde por causa de Gripe A. Eu estava prestes a me mudar hoje. ODEIO TUDO ISSO!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Voltei

Acordei, vi o visor de celular. Eram 8:55. Puta que pariu! Tenho que me preparar para sair.

Tomei um bom banho, porém, bem rápido, arrumei-me e saí sem tomar desjejum. 9:20

Durante o caminho, comprei maço Vogue. Suspirei entre baforadas depois de quase um mês sem fumar. 9:45

Entrei no CAPs bem na hora. 9:55

A psicóloga me chamou para entrarmos na sala. 10 horas

Ela perguntou-me o que fiz algo de bom em Porto Alegre durante 3 semanas. Respondi que fiz curso de fotografia. Blá-blá...

E perguntou a mais o que eu tenho planos para seguir ao futuro. Comecei a pensar, pensar, pensar que nem uma mula! Eu fiz uma carinha de ironia e respondi: emagrecer! Respondi que peso de 53 e pretendo chegar aos 45 quilos.

Ela ficou chateada quando eu disse isso e olhou -me para ver se estou magro mesmo. E disse que estou magro demais. Sei, porra! Pensei.

Mas, mudando de assunto, falei que estou aguardando a resposta de FIERGS sobre o curso de auxiliar administrativo em capital. Se der sim, vou ter que morar lá por 5 meses. Ela se alegrou e disse que tá torcendo.

Deu uma certa preocupação: alimentação lá. Como a minha tia não sabe cozinhar, só compra comida pronta e guloseimas. Ela disse que não devo preocupar e falou ainda que posso pedir uma educação alimentar.

Ainda mais dizendo que estamos trabalhando, a partir de agora, para que eu possa fortalecer bem estar mental e físico a mais.

Eu ia contar sobre sonho, mas o tempo acabou. Devia contar isso no começo, mas falei de outro assunto. Covarde! (Explicarei melhor na próxima postagem.)

Saí de CAPs, acendi um cigarro e comecei a sorrir.

Estou no meio caminho alcançado, enfim.

E passei na padaria, pedi um café puro e comecei a sentir estômago roncando. Sorri mentalmente. Estou em NF...

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Sobrevivendo em capital

Depois de passar longe do meu blog, então tive a oportunidade de postar...
No primeiro dia em que cheguei na capital, depois de sair do shopping onde a amiga da minha tia trabalha, eu estava prestes a caminhar para curso. De repente, fui abordado por meninos, não entendia do que eles estavam dizendo, mas deu pra perceber que é uma tentativa de assalto. Eles queriam roubar da mochila, resolvi a correr. Tive que atravessar na avenida movimentada mesmo driblando carros passando pelas 4 vezes. Olhei atrás e percebi mais duas pessoas foram agrupadas. Comecei a desperar. Minhas pernas estavam doendo, mas não querem parar. Corri para outra direção, olhei atrás e percebi que eles haviam desistindo. Continuei correndo até prédio do curso. Fiquei de boca seca e coração batendo rápido demais.
Um ataque de fobia social inesperado.
Durante a primeira aula do curso, eu comecei a ficar bem tranquilo até como fosse não tivesse acontecido. E voltei de táxi por preocupação na noite das 9. As tias não sabem e nem saberão pelo o que aconteceu.
Ao passar do tempo, o curso de fotografia analógica está bem legal, porém, eu e a professora tivemos que dar os bilhetes para entender melhor.
Anteontem, fui na saída de prática para tirar umas fotos. O local da prática era o Mercado Público de Porto Alegre, no começo não foi uma moleza: tirar umas fotos no meio da multidão. Mas, no final, consegui tirar umas 36 poses.
Achei que ia controlar bem a alimentação durante a estadia em capital, me enganei. A tia exagerou: comprou guloseimas demais. Não pude evitar, acabei comendo DEMAIS. Mesmo assim, tenho seguido a alimentação vegetariana com muita força.
Então resolvi a me pesar depois de um longo tempo. Me suspirei depois de ver o peso obtido, ENGORDEI! De 48 para 53 quilos inacreditáveis!
Mesmo ainda jogo a comida do almoço na privada quando fico sozinho em apartamento da tia. A garganta tá ficando cada vez mais irritada. Achei que fosse o efeito causado pela poluição, descobri que é gripe está chegando. Fui vasculhar na gaveta dos remédios, não tinha remédio para gripe, então tomei paracetamol.
Sinceramente, não sei se é bom para mim... Não vejo a hora de voltar ao interior esta semana, porque eu preciso falar umas coisas com a psicologica. Sei que vou emagrecer mesmo tentando lutar contra o transtorno alimentar...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Consulta tensa

Eu estava bem ansioso, hoje era o dia de consulta. Notei minha mãe se arrumando e perguntei onde ela vai sair. Respondeu-me que vai sair comigo para a consulta.

Fiquei azedo.

Então fomos no prédio de CAPS. Aguardamos um pouco e fomos chamados para entrar na sala de psicológa. Ela começou a falar. Pedi desculpas, a mãe começou a falar pra ela que sou surdo. A psicológa ficou surpresa.

Ela tentou falar bem claro para que eu possa ler lábios melhor, mas a mãe atrapalhou. Fiquei calado na maioria do tempo.

Isso piorou a mais... A psicológa falou que estou magro demais. Eu fiz uma pergunta: - Tu acha que sou magro demais? Ela respondeu que sim.

Fiz cara de descaso.

E me perguntou se estou satisfeito com meu corpo. Eu fiquei ruborizado, eu devo responder na frente de mãe?
Então, tive que enrolar. Daí a mãe me olhou bem torto. A psicologa me perguntou quanto tempo que não como carne, pois a mãe falou que fiquei radical ao escolher vegetarianismo, respondi que vai fazer 5 meses. A mãe disse que devo comer carne duas vezes por semana. Eu discordei, começamos a discutir, a psicologa ficou sem jeito.

Hora errada para falar sobre transtorno alimentar na primeira consulta, tudo por causa daquela vaca da mãe.

Continuei calado, fiquei olhando na janela. Quando voltei na realidade depois de mãe me cutucar dizendo que sou igual. Igual de quê, perguntei várias vezes.

Ela começou a chorar. Fiquei sem graça. Clima bem tenso! Preferi não ver naquele momento.

Quando a mãe levantou para sair da sala, a psicologa avisou-me é a hora de conversar entre duas pessoas e foi buscar papéis para escrever.

Então, expliquei porque de estar triste, mas a psicologa me pressionou a falar o motivo principal de estar deprimido. Então, desabafei que eu era uma criança feliz até obesidade chegar. Fiquei gordo de 8 até 13 anos de idade. Ainda mais contei que comecei a emagrecer aos 13 anos.
Ela me perguntou mais uma vez se estou realmente satisfeito com meu corpo. Respondi barriga e peito que não foram ótimos no meu corpo.

Ela me fez outra pergunta se eu fico bem sozinho no meio da aglomeração de gente ouvinte. Eu respondi que sentiria como um peixe fora d'água e sentiria bem comunicando com as pessoas surdas. Ela compreendeu.

A psicologa suspirou, escreveu no papel "anorexia" e me olhou de cara séria. Disse que é a primeira vez conversando com um jovem surdo e anoréxico, e que devo fazer umas decisões e caminhos para eu sentir bem.

Fiquei sem palavras.

Ela avisou que o tempo terminou e falei que a próxima consulta pode ser a partir de dia vinte de julho, pois vou ficar na capital por duas semanas.

A mãe falou que vamos almoçar no restaurante. Eu fiz uma cara de mal-humorado, mas fomos lá. Depois de comer, eu ia levantar para banheiro, mas a mãe se levantou dizendo que vamos embora. Fiquei irritado.

A consulta foi bem tensa. Hoje foi pior dia que já tive!