Eu preciso morrer, mover, mudar
parar de enxergar para ver,
Sorrir sem palavras, sem me preocupar
Porque as vezes você precisa escolher
Entre perder e esquecer sem jamais lutar!
Não sei quanto tempo passou
Desde que esqueci de passar
Tão perto de um lugar qualquer...
Eu queria me fechar, mudar e voltar a ser tão normal
E não ser
o que eu penso ser... o que eu acho
que sou
Meus pensamentos,
os julgamentos que eu finjo não notar
o que é mais certo?
O silêncio pode mostrar que eu me importo
Fugir pode me calar...
...
Talvez eu deva viajar, mudar o rumo...
talvez não ter onde ficar,
talvez no escuro...
Talvez não encontrar
um outro rumo...
Talvez a estrada não tenha fim,
talvez o fim seja viajar
em outras águas que ninguém navegou
e talvez nunca chegar
em lugar nenhum
ou em qualquer lugar...
salvar-me...
***
Estava num lugar bem movimentado e alegre, esperando um ônibus chegar na parada. Um táxi parou no meu lado, a porta abriu e era a tia. Chamou-me para entrar. Então entrei.
Por bom tempo, reconheci uma avenida, comecei a desesperar.
Era o endereço do hospital onde tem ala para transtornos alimentares.
Quase causei o acidente tentando fazer táxi parar, mas paramos na frente de emergência do hospital.
Comecei a ficar nervoso demais.
A tia saiu, pedindo que eu saia do táxi. Eu recusei inúmeras vezes, tentando segurar o banco. Mas ela chamou enfermeiros. Um bando dos enfermeiros!
Os enfermeiros me carregaram. Me debatei para sair dos braços, mas sem sucesso. Entramos nos corredores do hospital.
Podia ver os rostos das pessoas, que estão esperando no corredor da visita, assustados nos observado.
Acordei, percebi que era um pesadelo e fiquei tranquilo.
Mas...
Dois dias depois, a tia visitou de surpresa.
***
Depois de uma semana com a tia na minha casa. O que ganhei? Inúmeras perguntas feitas pela minha tia sobre alimentação e tais, que resultou umas belas discussões nos almoços e jantares.
Algum dia a mãe perguntou-me se tenho papel de encaminhamento. Eu respondi que não é pra sua conta. Ela me pressionou, então dei pra ela. Depois de ela ler, ficou feliz e tentou me abraçar. Eu falei que não quero saber de abraços. Um garoto indelicado, claro.
***
Os pensamentos anoréxicos me consomem para caramba e muita comida hipercalórica! Resolvi vencer o medo temporário da balança, depois de umas "décadas" sem pesar.
Pesei, vi no visor e não acreditei.
50,2kg! Perdi 3 quilos comendo.
***
Uma garota com transtorno alimentar em que converso no msn fez-me refletir com uma frase que ela sempre fala:
- Quando como, sinto culpa e quando não como, também sinto culpa.
Afinal: todo anoréxico e bulímico é feliz?