quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A verdade doí

Antes de começar o debate sobre a educação surda, um menino surdo me cumprimentou, notou o meu rosto parece que tem algo errado comigo e fez uma careta de rosto magro. Eu dei uma risada nervosa como uma resposta irônica. No meio da festa de dia do surdo, minha melhor amiga começou a medir minha coxa com as mãos dela, fiquei sem jeito quando ela falou que minhas coxas são pequeninas demais e perguntou-me quanto mede a minha cintura. Respondi que é 36. Ela arregalou.
Esses episódios aconteceram no mesmo dia, 26 de setembro. Em minha cidade-natal.

Estava desabafando com a psicanalista que ainda penso em emagrecer. Ela perguntou-me se conheço a concentração nazista. Respondi que sim. Começou a explicar que os vítimas consomem tão pouco e trabalham muito até ficarem doentes e esquálidos.
Ainda mais contou  a metafóra dizendo que um carro partiu durante a viagem, mas não foi abastecido de gasolina completamente, daí parou no meio de percurso.
Isso está querendo dizer dos momentos de NF (embora que não consigo fazer mais NF, só consumindo de porções pequenas), advertiu que posso ter problemas se eu não alimentar bem.
Fiquei sem palavras.
Sugeriu que eu posso consultar com nutricionista para ter consumo balanceado que possa me deixar forte e com peso ideal e estabilizado.

Estou pensando em consultar com nutricionista, enquanto lembro de um adesivo colado na pará-lamas do carro que vi no caminho para casa.

Você tem olho gordo? Coloque colírio diet!


terça-feira, 6 de outubro de 2009

Vida nada fácil

Acordei mal-humorado na manhã gelada do dia vinte e um de setembro, não tinha nenhum interesse em continuar vivendo, ou seja, vegetando. Depois de desjejum, comprei um maço no caminho para parada, acendi um cigarro e sugei partículas de nicotina, dióxido de carbono e mentol. Me senti uma tontura danada, enquanto soltando baforadas de nicotina.
No meio do curso, a professora anunciou:
- Hoje é um dia muito especial para Léo! Vamos parabenizar para ele que hoje é aniversário dele.
Os colegas ficaram em pé, aplaudindo e cantando assim...

Parabéns para você!
Você ganhou mais um ano de vida!
Que seja feliz para sempre...

Eu estava nervoso querendo sair da sala no meio de coro chato, mas fiquei na sala recebendo abraços.
Os vinte e um anos são um chatice da vida, é que penso assim.

Não vai ter bolo? - pergunta uma colega.
Bolo? Não quero saber - respondi mal-humorado.

***

Algum dia chuvosa, vi um papelzinho contendo nome e endereço da psicanalista na escrivaninha. As tias marcaram para mim consultar.
Eu não pedi nenhuma ajuda, mas sei que tenho problemas, enfim...

***

Entrei na sala de espera da psicanalista acompanhado da tia. Vi umas revistas de moda. Fiquei vendo umas imagens das mulheres tão magrinhas até ser chamado da psicanalista para entrar na sala dela.
Notei três quadros mostrando cenas de paraíso, céu e inferno. Abaixo dos quadros, uma divã. Aos lados, várias fotografias de Freud.
A psicanalista mostrou uma poltrona para mim sentar.
Começou com uma pergunta:
- Recebi uma ligação das tuas tias pedindo consulta, então o que você veio para aqui me consultar?
Pois é, respondi, vim por causa de depressão, fobias e... e... e...
E? - perguntou a psicanalista
E transtorno alimentar - finalizei com sorriso amarelo.
Ela ficou surpresa e disse que estou magro demais.

A consulta saiu bem tranquila, não sei se vai me ajudar bastante para sair do transtorno alimentar.

***

Confidenciei com a minha colega do surdo sobre transtorno alimentar. Ela compreendeu agora e contou-me que já ficou uma semana sem comer, apenas tomando apenas café por causa de depressão severa. Agora está em tratamento.
Ela avisou quando saímos de ônibus que eu posso desabafar qualquer coisa com ela. E torce que eu posso sair do inferno.

Devorei dois pratos no restaurante vegetariano, estava nervoso até mãos tremendo. Pensei:
- Ah! Quero estar feliz comendo bem.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Surpresa inesperada

Ontem, um pouco cansado depois das aulas, notei um bilhete grande na mesa de cozinha. Percebi que é muito sério. Fui ler.

Fiquei de cabeça quente, mão agitados e coração batendo forte depois de ler.

Eis o bilhete...

Léo, quero que você me responda com toda sinceridade do seu coração, ok.
Você ainda está vomitando após as refeições ainda?
Porque eu sei que alguns meses atrás você estava vomitando tudo o que comia.
Quero que você fala a verdade para mim. Sou sua amiga e não quero ver você entrando nessa roubada de novo.
A vida é bela, temos que nos amar muito e agradecer cada dia, pela nossa alimentação, pela saúde, pelos amigos, pela nossa família, porque ela é nosso alicerce para tudo na nossa vida. Você é uma pessoa inteligente, esperta e vai conseguir tudo o que almeja na sua vida, um bom trabalho, um bom sálario, uma faculdade e até seu apartamento, sabia.
Então não gostaria de ver você se torturando à toa, você pode dizer pra si mesmo que você é muito feliz agora.
Quero que você saiba tudo que você queira falar e se estiver com vontade de falar algo que te aborrecendo, fale comigo ou com a tia, por favor! Podemos te ajudar, ou encontraremos juntos ajuda para você ir na psicóloga ou psicoterapeuta como quiser, mas não deixa de falar comigo e com tia sua.
Porque eu ficaria muito triste com você se soubesse que está vomitando, sabe porque eu preparo seu almoço com muito carinho todos os dias e eu sei que é alimentação saúdavel de verdade! Então não vale a pena comer e colocar tudo fora em seguida, além de custar mais dinheiro.
Só estou preocupada com sua saúde.
Obrigada, e eu sei que você vai entende a minha preocupação, porque gostamos muito de você.
Um beijo.

Foi como uma tapa de rosto, guardei um bilhete no meu bolso e almoçei.
Fiquei pensando nisso por um bom tempo. Até recebi umas respostas dos meus amigos dizendo que devo aceitar a mão que ela estendeu para mim.

Hoje eu estava a prestes de sair para curso, ela mostrou um pequeno bilhete pra eu ler:
Leu o bilhete e pensou muito? Então sim ou não? Me responda, por favor!

Respondi apenas não.

Saí, acendi um cigarro. De repente, as gotas começam a cair em cima de mim. Começou a chover forte, abri uma guarda-chuva e caminhei nas ruas até a parada. Vi um reflexo meu no vidro molhado da vitrine.
Um rapaz triste e esquálido segurando uma guarda-chuva.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Realidade crua

A tia me convidou para fazer uma caminhada. Aceitei imediatamente. Comecei a sentir dor do peito enquanto caminho bem rápido ao lado da tia. Ela notou o meu cansaço debilitado e me perguntou se estou bem. Respondi que estava tudo bem.

Voltei com pés cheios de bolhas e dor intenso do peito.

No outro dia, depois do curso, vi um bilhete de outra tia deixou na mesa de cozinha, dizendo que o dia está lindo e sugerindo que eu possa passear. Então, fui a caminhar nas ruas de Porto Alegre com pés totalmente machucados. Depois de duas horas sem beber nada, quase desmaiei no meio do parque, mas fui a sentar na banca e tirei os tênis. Me surpreendi depois de ver meus pés já sangrando aos poucos, mas não me deixou preocupado. Trinta minutos depois, calçei tênis e voltei a caminhar na volta para casa das tias, sentindo pés ardendo de tanto dor.

Já cansado de tanta caminhada, preparei umas almôndegas de soja com a amiga da tia para a festinha de despedida da professora. Ela disse que estou preparando muito bem, embora que eu seja cozinheiro de meia-tigela.

Hoje, no meio da aula, eu e colegas trouxemos comes e bebes para a surpresa da professora. Mesa já posta, observei meus colegas pegando almôndegas de soja. Eu sentia um leve prazer de orgulho quando meus colegas descobriram que preparei essa comida até perguntaram a receita.
Tive que comer os doces oferecidos pelas colegas.

Depois do curso, no dentro de ônibus, meus colegas perceberam que não estou bem e falaram que meu rosto está muito pálido.
Eu estou triste e com azia forte, por ter consumido comida da festinha e não ter miado.
Uma colega minha me perguntou o que houve comigo, eu respondi que não tem nada de errado. Não satisfeita, ela me pressionou para obter a minha resposta. Mas falei que é particular e nada de mais. Ela decidiu não me incomodar mais.

Caminhei cabaleado nas ruas cheias de pessoal até chegar o edifício. Vi um bilhete na mesa de cozinha.

Alimenta bem, por favor!

Suspirei, sentei na sofá e tirei tênis. Meus pés estão com cicatrizes e percebi que meus braços estão cada vez mais esquálidos.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Esperança cética

Caminho nas escadas até o sétimo andar, abro a porta do apartamento e encontro a comida já posta na mesa com um bilhete escrito por amiga da tia.

"Hoje fiz almoço vegetariano, que é especial para ti. Espero que goste. Tem um suco natural na geladeira. Até a noite. Beijos"

Me deixa um pouco feliz e chateado ao mesmo pelo o que a amiga respeita a minha opção muito bem até prepara tanta comida gostosa e saudável, porém calórica.

Eu tento alimentar o prato preparado por ela, mas os pensamentos anoréxicos estão atrapalhando comigo. Sem pensar duas vezes, levo prato até o banheiro, onde jogo comida no vaso sanitário e dou uma descarga.

Essa comida tão boa e saudável se foi na privada. Porque eu fiz isso? - pensei, enquanto meus olhos se lacrimejam.

Quando a tia e a amiga dela voltaram do trabalho me perguntaram se eu gostei do almoço. Respondi mentindo que gostei muito.

Mentir para elas me doí muito...

Algumas vezes, escapando dos pensamentos anoréxicos, comi pratos e lanches vegetarianos, horas depois fico na crise dístimica. Minhas tias (chamo a amiga dela de tia) me perguntam o que houve comigo depois de verem meu rosto desfigurado de tanta tristeza. Tento acalmar elas dizendo que está tudo bem.

Nas noites eu tento imaginar alguma coisa feliz, deitado na cama, e no final sempre acabo com olhos molhadíssimos.

O curso está ficando mais legal. Tem um certo incomôdo: intervalo do curso com direito de um lanche e bebida de graça. Eu peço café puro até coca zero, lanches poquíssimas vezes! Meus colegas me olharam segurando uma lata de coca zero, enquanto fumando. E comentaram que estou magro demais.
Certo dia, saímos para pegar ônibus depois do curso, dei um toque leve no meu colega cego para conversar com as mãos. Ele disse que minhas mãos e braços são muito esqualidas, fiquei perplexado. Outra colega nos viu e concordou com ele.

Saiu puro suco gástrico no vaso de banheiro do curso, queimou a minha garganta, sentei no chão e chorei.

Quero estar feliz! Esta frase apareceu, depois de balões estourarem, foi escrito por mim durante a aula de psicologia do curso em que a professora propos colocar umas mensagem anônimas em balões. Acredito que existe uma esperança, porém estou ficando cético...

sábado, 5 de setembro de 2009

Crise de pânico

Voltei do curso e encontrei um bilhete na mesa de cozinha

Você pode comer sem medo de ser feliz.

Fiquei intrigado. E almoçei bife de soja, arroz integral, feijão e salada de soja. Minutos depois deu-me uma culpa mísera.

Fui no banheiro, miei o resto da salada, muito menos arroz e feijão. Depois ataquei barrinhas de chocolate e consegui miar, mas feijão com arroz não saíram ainda de segunda mia.

Me deu um grande desespero. E aconteceu um ataque de pânico: taquicardia, falta de ar e corpo agitado. Minutos depois, me acalmei aos poucos, fui no sebo e fiquei lendo os livros da psicologia para esquecer a tensão.

Então, na noite a tia voltou do trabalho. Resolvi perguntar sobre bilhete tão estranho. Ela explicou que não colocou sal, pois exagerou sal nas refeições anteriores. Tentei rir de qualquer forma.

Minha garganta está totalmente fudida!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Uma passadinha no inferno

Depois de uma semana estando em capital, resolvi dar uma passadinha na minha cidade natal para matar saudades com meus animais de estimação e rever meus amigos.
Quando cheguei na casa dos pais, já começou a discussão diária por causa de alimentação...

Eu estava teclando com amigos no messenger em plena noite da sexta, a mãe perguntou-me qual jantar que eu queria: comida ou lanche. Respondi não mexendo cabeça.
Ela ficou furiosa, começou a falar que estou magro de ossos até apertou meu braço. Eu fiquei furioso pela reação dela, pragueijei-a para inferno. Mas, mesmo assim, jantei na frente dos pais para não piorar o clima.

No dia seguinte, minha mãe foi visitar na outra cidade com a irmã dela. Meu pai estava na casa, tomei iogurte no desjejum. Saí caminhando para a casa da amiga, no outro lado da cidade, onde vai ter a festa de aniversário dela. O tempo estava quente, estou de roupa típica para outono e nem almoçei.

Como eu me prometi que vou comer uma fatia de bolo só, mas extrapolei demais. Até falei com as minhas melhores amigas que preciso emagrecer, elas me xingaram que tenho cabeça pequena. Fiquei ofendido, afinal, decidi a não falar mais sobre isso com elas.
Depois de aniversário, fui na concentração surda em boliche à noite fresca. Durante um bom tempo, senti meu estômago roncando. Eu queria ficar de NF, mas... Fui no bar com as duas amigas e pedi um xis vegetariano (sou vegetariano faz sete meses).

Acordei perto de meio-dia do domingo, depois de chegar na casa pelas 4 horas de manhã. A mãe reclamou pra caramba. Não aguentei ficar vendo a mãe reclamando assim.
Última refeição com pais se realizou com conflitos...

Antes de ir para rodoviária, o pai pediu-me um abraço. Achei muito estranho, pois ele e eu não demos muito bem desde minha infância. Então, dei um abraço mal-feito. A mãe observou naquela cena inédita e ficou feliz.
Na rodoviária, a mãe perguntou alguma coisa pra eu comer durante a viagem para capital. Respondi somente bebida. Ela nem hesistou.

Fiquei lembrando dos momentos em que passei na infância, enquanto vendo a placa dizendo que faltam alguns quilômetros para chegar em capital:

No jantar com os pais, a mãe colocou um pratinho de comida. Eu fiz uma carinha de quem não gosta a comida.
A mãe disse que devo ficar forte se eu comer todo o pratinho.
Acreditei no que ela disse durante os últimos anos.
E tornei obeso de oito anos.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Partida bizarra

Estava preparando umas malas para a partida, senti um vento vindo da janela do meu quarto. Era gelado, mas gostoso. Estava chovendo forte no dia dezoito.
Achei engraçado o dia da partida ficaria assim, embora que gosto de dias nebulosas, chuvosas e geladas.
Lembrei da reunião da escola para discutir sobre a inclusão nas salas de aulas, fui lá debaixo da chuva. Durante a reunião, o celular vibrou. Era a mensagem da minha amiga dizendo que a mãe tá precisando comigo urgente. Alguns minutos depois, me apressei até a casa. A mãe estava uma fera, mas não importei dela. Que se foda uma vaca obesa e teimosa!
Ônibus para Porto Alegre chegou, a mãe despediu e disse que eu volte nos finais de semanas para passar. Eu fiz deboche assim: Não vou voltar para visitar você e pai, mas só animais de estimação. Então, adeus!
A mãe não gostou pelo o que disse.
Entrei no ônibus, vi um homem no banco último, eu sentei atrás do banheiro. Porque é lugar meio vazio, admito que gosto assim mesmo.
Quase duas horas depois, deu uma sensação danada de fome. Vi uma sacola contendo salgadinhos e chocolates que a mãe comprou para mim.
Devorei imediatamente que nem um mendigo. Senti uma dor intensa do estômago e uma grande culpa, tentei ignorar esses sentimentos, mas não deu a bola.
Então fui no banheiro de ônibus, coloquei dois dedos na minha garganta e pressionei bem forte. Saiu os restos alimentares.
Miei no banheiro de ônibus andando para capital. A bulimia voltou...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Perdido no mundo irreal

"Comece pelo começo, siga até chegar ao fim e então, pare" - Lewis Carrol em Alice no País das Maravilhas.

***

Vesti uma calça 36 bem folgadinho no banheiro depois de tomar um banho, passei mão no espelho pra tirar umidade e mostrou uma imagem.

Não é sou eu. É tão diferente de mim.

Enquanto isso, lembrei das velhas fotografias e momentos do passado remoto. Chorei lembrando que comia sem culpa, tinha um corpo saudável e era feliz.

Por que? Porque eu não me vejo como magro, sim como um gordo. Resposta crua e irreal.

Você está magro demais até parece um aidético, disse um conhecido. Dei um gesto obsceno pra ele, dizendo que não se meta na minha vida.

Meus amigos de infância estavam conversando sobre academia e emagrecimento. Mostrando umas "barrigas de cerveja", então mostrei minha barriga. Eles falaram que a minha barriga é lisa pra caramba. Eu não acreditei pelo o que elas acabaram de falar.

***

Nas meia-noites, eu tento dormir, mas só fico acordado de olhos molhados pensando o que será de amanhã. O demônio voltou com aplauso silencioso. Falta um pouco para chegar e depois morra!

Estou ficando neurótico...

Que bela sopa, tão rica e verde,
Esperando no caldeirão a ferver!
Quem consegue parar de comer?
Sopa do jantar, bela sopa!
Sopa do jantar, bela sopa!
Que be....la so....pa!
Que be....la so....pa!
Soooo...pa do jantar!
Bela, bela sopa!
Que bela sopa, quem liga para um peixe,
Carne ou outro prato?
Quem não daria tudo o que tivesse por essa bela sopa?
Sopa do jantar, bela sopa!
Sopa do jantar, bela sopa!
Que be....la so....pa!
Que be....la so....pa!
Soooo...pa do jantar!
Bela, bela sopa!


Uma noite qualquer, meus pais me chamaram para jantar. Falei que não sinto fome nenhum, mas eles não importam e me levaram para cozinha. Eu vi um prato cheio de comida.
Eu: Não vou comer tudo isso! - mexendo comida
Mãe: Se não comer, vai ver.
Eu: Então, mostra - continuando a mexer comida
Pai: Coma! - Batendo forte na mesa.

Fiquei assustado, comi um pouco, de olhos molhados. Outros parentes estavam lá observando tudo.
A metade do prato se foi e saí direto para quarto. Tentando abafar o choro com travesseiro, deitado na cama.

Não chora! - sinaliza demônio - É tudo que você tem que viver.
Mandei que ele saia do quarto, jogando travesseiro.

***

Recebi uma notícia boa caiu do céu: vou morar em capital esta semana. Então, vou partir hoje à noite mesmo.
Preciso ficar longe do pais, mas vou ter que enfrentar com a tia chata e as consultas semanais no hospital de capital.

Você deve, querendo ou não querendo, sair do inferno.

A luz do fim está chegando...

Soooo...pa do jantar!
Bela, bela sopa!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Are you happy with that?

Eu preciso morrer, mover, mudar
parar de enxergar para ver,
Sorrir sem palavras, sem me preocupar
Porque as vezes você precisa escolher
Entre perder e esquecer sem jamais lutar!
Não sei quanto tempo passou
Desde que esqueci de passar
Tão perto de um lugar qualquer...
Eu queria me fechar, mudar e voltar a ser tão normal
E não ser
o que eu penso ser... o que eu acho
que sou
Meus pensamentos,
os julgamentos que eu finjo não notar
o que é mais certo?
O silêncio pode mostrar que eu me importo
Fugir pode me calar...
...
Talvez eu deva viajar, mudar o rumo...
talvez não ter onde ficar,
talvez no escuro...
Talvez não encontrar
um outro rumo...
Talvez a estrada não tenha fim,
talvez o fim seja viajar
em outras águas que ninguém navegou
e talvez nunca chegar
em lugar nenhum
ou em qualquer lugar...
salvar-me...

***

Estava num lugar bem movimentado e alegre, esperando um ônibus chegar na parada. Um táxi parou no meu lado, a porta abriu e era a tia. Chamou-me para entrar. Então entrei.
Por bom tempo, reconheci uma avenida, comecei a desesperar.
Era o endereço do hospital onde tem ala para transtornos alimentares.
Quase causei o acidente tentando fazer táxi parar, mas paramos na frente de emergência do hospital.
Comecei a ficar nervoso demais.
A tia saiu, pedindo que eu saia do táxi. Eu recusei inúmeras vezes, tentando segurar o banco. Mas ela chamou enfermeiros. Um bando dos enfermeiros!
Os enfermeiros me carregaram. Me debatei para sair dos braços, mas sem sucesso. Entramos nos corredores do hospital.
Podia ver os rostos das pessoas, que estão esperando no corredor da visita, assustados nos observado.

Acordei, percebi que era um pesadelo e fiquei tranquilo.

Mas...

Dois dias depois, a tia visitou de surpresa.

***

Depois de uma semana com a tia na minha casa. O que ganhei? Inúmeras perguntas feitas pela minha tia sobre alimentação e tais, que resultou umas belas discussões nos almoços e jantares.

Algum dia a mãe perguntou-me se tenho papel de encaminhamento. Eu respondi que não é pra sua conta. Ela me pressionou, então dei pra ela. Depois de ela ler, ficou feliz e tentou me abraçar. Eu falei que não quero saber de abraços. Um garoto indelicado, claro.

***

Os pensamentos anoréxicos me consomem para caramba e muita comida hipercalórica! Resolvi vencer o medo temporário da balança, depois de umas "décadas" sem pesar.

Pesei, vi no visor e não acreditei.

50,2kg! Perdi 3 quilos comendo.

***

Uma garota com transtorno alimentar em que converso no msn fez-me refletir com uma frase que ela sempre fala:
- Quando como, sinto culpa e quando não como, também sinto culpa.

Afinal: todo anoréxico e bulímico é feliz?